terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Inclusão digital dos povos indígenas

Há pouco mais de dois anos, quando acompanhava os desdobramentos da Lei da Mídia Argentina, assisti na Jornada pela Comunicação Democrática, realizada pela Comuna (Comunicadores de la Argentina), outro tipo de abordagem. Lá pouco se falou da batalha entre o grupo Clarín e o governo Kirchner, que na época era pauta permanente na imprensa.

“Eles (grandes grupos monopólicos) têm a história do exercício de poder na comunicação. Nós, de resistência”, resumiu o professor Fernando Borroni, da Escuela Popular de Medios Comunitarios (EPMC), espaço voltado à capacitação dos trabalhadores de rádio e televisão dos meios comunitários e para as organizações sociais. A lei Argentina estabelece que 33% das licenças de rádio e televisão sejam destinadas às organizações sem fins lucrativos, e Borroni, junto a outros tantos milhões de latino-americanos submetidos ao modelo hegemônico de uma CNN, mostrava-se preocupado com a batalha cultural a qual teriam que vencer. Trata-se de “recuperar a linguagem do jornalismo”, repetiu. Ou ainda, acrescento, de criar uma linguagem, uma vez que são setores que nunca tiveram espaço.

O projeto inclusão digital do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), voltado à capacitação dos povos indígenas para o domínio da tecnologia audiovisual, é uma iniciativa de resistência e contestação similar ao trabalho da escola argentina.

Inaceitável é que não tenhamos rádios livres e comunitárias para a divulgação da cultura guarani de forma tão massificada quanto a grande mídia cria o consenso e manipula a opinião pública contra eles.

Assista aqui a iniciativa do IELA.

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