sexta-feira, 30 de junho de 2017

sobre a solidão

Esqueçam o que disse sobre escrever uma tese em um bar. Estudar é também solidão e não se alimenta com ruído nem com um vaso de vinho. Cheguei há pouco e ainda estou me reconhecendo nesse espaço. Voltei às livrarias, bares e parques e ainda não fui aos museus, mas reencontrei amigos e criei novos laços. Comprei passagens para conhecer Mendoza e as Cordilheiras dos Andes, um desejo antigo. Mudei meu número e já não atendo no Brasil. Não tenho pressa para voltar.

Ainda sofro com as noites insones e passo parte das manhãs dormindo. Leio o primeiro tomo dos diários de Emilio Renzi. Em alguma medida, ainda que sem precisão, tento revisitar os lugares por onde o alter ego de Ricardo Piglia passou. Mas isso eu só soube mais tarde, quando desci uma estação antes para tomar um cortado em um restaurante de Arenales e Riobamba.

Hoje escrevi três páginas da tese. A primeira na cozinha de casa enquanto Franco passava o café, a segunda em um bar celta que serve picadas no almoço e a última em um resto bar em Almagro. Já não persigo o melhor lugar para a escritura e nem a precisão do texto que por algum tempo me castrou.

De tudo, esses quase cinco dias em uma casa com íntimos desconhecidos me fizeram ver que me adapto bem às circunstâncias. Meus pensamentos já não me angustiam como antes, a solidão não me paralisa e me sinto mais presente aqui, vivendo o agora.   

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