quarta-feira, 14 de junho de 2017

três estrofes de incerteza

O Ribeirão foi como uma trégua. Era sexta-feira treze de um veranico de maio e para lá carreguei meus livros, alguns desencantos e meia dúzia de incertezas. Em um ano, algumas das incertezas se diluíram, enquanto outras resistiram à mudança. 

No Ribeirão desmaiei três vezes, aprendi sobre sopas e caldos e afoguei minha primeira horta. Fiz yoga, sustentei vínculos rasos e acho que pouco me libertei daquilo que me levou até lá.

Um ano depois, em uma mudança pra lá de tumultuada, as velhas dúvidas voltavam todas a galope no caminhão. Reza a cartilha da cura de Ana Cristina Cesar que é preciso voltar e olhar de novo aqueles dois quartos vazios. Prefiro a casa cheia, quadros na parede, flores nos vasos, livros ordenados na estante. Não me interessa, para nada, reviver aqueles quartos vazios. Hoje, a desordem urbana me interessa mais. 

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