terça-feira, 2 de agosto de 2016

na cabeceira...

Há tempos não mergulhava num autor. Aí outro dia, numa dessas andanças entre sebos e livrarias, comprei Todos os Contos de Clarice Lispector. Ainda que prefira as vozes femininas e que essas fiquem encantadas num certo canto da estante, Clarice nunca passou por aqui. Talvez uma renúncia juvenil que agora rima com falta. 
O fato é que, há pouco mais de uma semana, Clarice tem me acompanhado e deliciado minhas madrugadas e manhãs. Hoje acordei antes do nascer do dia, sentei com ela na poltrona que dá vista para uma árvore perto da janela, e devorei suas primeiras histórias. Aí segue um fragmento do conto Obsessão que, por alguma razão, tem um pouco de mim.  

[(...) aos dezenove anos encontrei Jaime. Casamo-nos e alugamos um apartamento bonito, bem mobiliado. Vivemos seis anos juntos, sem filhos. E eu era feliz. Se alguém me perguntava, eu afirmava, acrescentava não sem um pouco de perplexidade: “E por que não? ” Jaime foi sempre bom para mim. E, seu temperamento pouco ardente, eu o considerava de certo modo um prolongamento de meus pais, de minha casa anterior, onde habituara-me aos privilégios de filha única (...)].

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